4 de maio de 2017

Licinio Azevedo - Virgem Margarida (2012)



Moçambique | Licinio Azevedo  | 2012 | Drama| IMDB
  Português
90 min | 1.53 MiB
 
Sinopse:
Em finais de 1975, após a vitória contra a colonização portuguesa na guerra pela independência, prostitutas de norte a sul de Moçambique foram levadas para centros de reeducação na convicção de que, através da disciplina e trabalhos forçados, impostos por militares de pureza revolucionária, corrigissem a "má vida" e se transformassem na "mulher nova" socialista. Mas um equívoco desestabiliza as mulheres: Margarida, que nunca esteve com um homem, foi igualmente levada. 
 



Curiosidades:
 
Licínio de Azevedo O pai do cinema moçambicano

A história do cinema moçambicano confunde-se com Licínio de Azevedo, 62 anos, um repórter brasileiro que adaptou ao cinema a vontade de contar histórias, já com vários prémios e louvores. Em exibição em Portugal, a sua última obra, Virgem Margarida, é uma das raras longas-metragens de ficção moçambicanas. O JL conversou com o realizador sobre o seu percurso e o filme

Manuel Halpern

19:18 Segunda feira, 9 de Dezembro de 2013

O marxismo à moda da Frelimo estava cheio de boas intenções. No auge do furor revolucionário, em que todos os vícios eram tidos como colonialistas, as mulheres da 'má vida' foram arrebanhadas à força paracampos de reabilitação. O objetivo teórico era libertar estas mulheresdos maus hábitos impostos pelos colonos, transformando-as em mãesde família ao serviço da revolução. Na rede, sem apelo nem agravo,vieram por engano outras mulheres, que não eram prostitutas, apenas estavam no lugar errado à hora errada. Incluindo, conta-se, uma virgem,arrastada por engano para o campo, com um final trágico.

Licínio de Azevedo descobriu a incrível e triste história da Virgem Margarida (em cartaz nas Amoreiras - ver critica no JL 1125), quando estava a preparar um outro documentário, A Última Prostituta (1999), inspirado numa fotografia de Ricardo Rangel, em que Licínio recolheu testemunhos de mulheres levadas para esses campos de reabilitação. Só que há histórias que não se podem contar em documentário. E é esse o único critério que leva o jornalista a optar pela ficção, ora em livro, ora em filme. Quinze anos volvidos, em que o maior problema foi angariar o financiamento, o filme chega finalmente às salas.

"Não me interessa o filme político, mas sim o drama humano", dizLicínio de Azevedo, que admite ter receado que o regime se opusesseao projeto, Mas, pelo contrário, foi apadrinhado pelo Governo. "Tudoisto já se passou há muito tempo, e há interesse em contar estas histórias", diz. Outra dificuldade foi o casting: "Não há atores profissionaisde cinema. E eu tenho dificuldade em trabalhar com atores de teatro,por isso fiz os casting em grupos de dança, porque têm uma expressãocorporal diferente."

Virgem Margarida expõe a sociedade moçambicana pós-colonial em todas as suas contradições e resume o caminho do país. Aos poucos, os ideais foram deixados para trás e substituídos pela corrupção. "No filme, as militares queriam libertar as prostitutas, mas são as prostitutas que libertam as militares. Cai o Muro de Berlim quando Maria João se refere ao comandante dizendo: 'Reacionário' e de seguida 'Filho da Puta', passa do insulto políticoXpara a linguagem de rua".

PROFISSÃO: REPÓRTER

Licínio de Azevedo nasceu em Porto Alegre, no sul do Brasil, em 1951. Envolveu-se nos movimentos estudantis dos anos 60 e dedicouse ao jornalismo, passando por vários jornais de oposição à ditadura militar. Aventureiro por natureza, percorreu a América Latina, a pé e à boleia, em busca de histórias dos povos e dos movimentos libertários de países como Nicarágua, Bolívia, Uruguai, Argentina ou México. Depois foi trabalhar para São Paulo, onde se tornou editor da secção policial de um jornal: "Era uma das secções mais fortes, porque era ali que fazíamos passar as notícias sobre a tortura e outros abusos da polícia". Acabou por ser despedido, tal como vários elementos da sua secção.

Foi isso que o levou a marcar um novo destino. Seguira através dostelexes das agências a guerra das colónias africanas. E depois do 25 deAbril, quis seguir de perto os processos de independência.

Portugal foi uma escala necessária. Mudou-se para Lisboa em 1975,com o objetivo de chegar a Angola, mas não conseguiu visto. Contudo,através de um contacto da sua companheira da altura, Maria da Paz Tréfaut, filha de Miguel Urbano Rodrigues (diretor d'O Diário, jornal afeto ao PCP), viajou para a Guiné Bissau, com a missão de formar jornalistas, no Nô Pintcha. Por ali ficou dois anos. Aproveitou para falar com camponeses ex-combatentes do PAIGC para recolher relatos sobre a guerra, que transformou em histórias de ficção baseadas em factos reais.

Escreveu um livro, Diário da Libertação, publicado no Brasil e que chegou às mãos do realizador Ruy Guerra, que o desafiou a auxiliá-lo a montar uma estrutura para o cinema de Moçambique. Foi, assim, assistente e guionista, não só de Ruy Guerra, mas também de Jean-Luc Godard, que também quis fazer cinema em Moçambique. A coisa não correu bem, porque a política do Governo era o documentário institucional e de propaganda e Ruy Guerra tinha na mira um cinema livre, preferencialmente de ficção.

Quando a Guerra Civil começou, os intelectuais partiram, e Licínio deixou-se ficar, enquanto funcionário do Instituto Nacional de Cinema. Foi para o norte de Moçambique junto à fronteira com a Tanzânia, uma das primeiras zonas 'libertadas' do colonialismo, para recolher informação para escrever o guião de um documentário. Ficou por lá três meses. "Naquelas aldeias não estavam habituados a ver brancos, conta, mal eu chegava desatavam a fugir apavoradas gritando 'muitos brancos!' Não viam um branco desde o princípio da guerra". Foi ali que escreveu o argumento para o primeiro filme de ficção moçambicano, O Tempo dos Leopardos, produzido em parceria com a Jugoslávia. "Eles tomaram conta daquilo e fizeram à maneira deles, estragaram tudo".

O seu trabalho era essencialmente escrever. Juntamente com Luís Carlos Patraquim produzia textos para documentários e algumas pesquisas, não só em Moçambique mas também em Angola. Ainda escreveu vários livros, incluindo Coração Forte, com histórias da Guerra Colonial. Trabalhou na rádio e em jornais, até que o Instituto de Comunicação Social o desafioua fazer um programa de televisão, o Canal Zero. E foi nesse contexto que, em conjunto com a equipa que ia formando, fez os seus primeiros filmes. No final já tinham largas dezenas de produções, documentários de 10 minutos, filmados por todo o país.

Quando acabou o projeto televisivo, cinco anos depois, Licínio de Azevedo afirmou-se finalmente como realizador. Criou uma estrutura de produção, a Ébano Multimédia, e dedicou-se ao cinema, apesar da carência de meios. "Fiz a transposição do jornalismo para o cinema, a base é a mesma - a vontade de contar histórias". Fez mais de 40 documentários ao longo dos últimos 20 anos, filmes como A Colheita do Diabo (1988), A Árvore dos Antepassados (1994), A Guerra da Água (1996), Massassane (1998) e Acampamento de Desminagem (2005). "É no documentário que encontrohistórias para a ficção, mas é a história que determina o género".

Fonte: http://visao.sapo.pt...6#ixzz3iPZ9UT2v
 
Crítica:
Um filme com a reeducação de mulheres em Moçambique em fundo

Marta Lança: Texto - João Costa: Fotografia

10/09/2012 - 00:00

Licínio Azevedo, radicado em Moçambique, estreou ontem, no Festival de Cinema de Toronto, Virgem Margarida, que diz reflectir o país pós-independência, a reeducacão de prostitutas, mas também a libertação das mulheres

Em finais de 1975, prostitutas de norte a sul de Moçambique foram levadas para centros de reeducação na convicção de que, através da disciplina e trabalhos forçados, impostos por militares da pureza revolucionária, corrigissem a "má vida" e se transformassem na "mulher nova" socialista. Mas um equívoco desestabiliza as mulheres que foram aprisionadas na boémia da Rua Araújo, em Maputo: Margarida, que nunca esteve com um homem, seria igualmente levada. Todas se unem contra a opressão machista e põem a nu as injustiças da Operação Produção.

É esta a história do filme Virgem Margarida, que estreou ontem no Festival de Cinema de Toronto, e passará por festivais em Londres, Rio, Amiens, Córdoba e Dubai, antes de surgir nas salas portuguesas até ao final do ano. Licínio Azevedo, realizador brasileiro radicado há quase 40 anos em Moçambique, conta-nos a sua admiração por estas mulheres e as peripécias de um filme que traz a lume um episódio negro do período pós-independência, quando o Governo da Frelimo quis reeducar milhares de "anti-sociais", dissidentes intelectuais, testemunhas de Jeová, homossexuais, criminosos, mães solteiras e prostitutas, fazendo-os desaparecer misteriosamente para lugares recônditos de antigas bases da guerrilha, em pleno mato, onde muitos sucumbiram aos castigos e maus tratos. Em 1981, Samora Machel iniciou a suspensão do processo reeducativo. Mas o que aconteceu aos reeducados?

Como surgiu a ideia de contar a história dos centros de reeducação de prostitutas?

As prostitutas foram as primeiras a dar vivas à revolução. Tenho acompanhado os 37 anos de Independência em Moçambique enquanto documentarista e sempre me interessou o tema da mulher. É o caso do meu filme A Última Prostituta, um documentário clássico de entrevistas, a partir de uma fotografia de Ricardo Rangel, com dois militares a escoltarem uma prostituta. Na altura chamou-me a atenção o depoimento sobre uma camponesa que tinha ido à cidade comprar o enxoval e, indocumentada, foi levada por engano para os campos. Construí o filme Virgem Margarida a partir dessa história contada por reeducadas: uma virgem num centro de reeducação entre 700 prostitutas.

Olhando para aquela época, como subjaz a ideia de homem e mulher novos? O que poderia ter de apelativo a limpeza de costumes, contra a indigência e degeneração?

Cheguei a acreditar que, através da revolução, era possível purificar o ser humano, criar uma nova sociedade. Agora quero compreender o lado humano destes processos, a contradição dos grandes ideais que, por vezes, se transformam em tragédias, pois as pessoas que os dirigem são mais fracas do que os mesmos. No filme, um dos conflitos é o percurso entre as prostitutas e as guardas dos centros de educação, encarregadas de reeducar as outras mulheres, que eram militares e camponesas da luta pela independência, com uma visão tão deturpada do país que nem sabiam o que era a prostituição. Os próprios soldados que faziam as capturas, acabados de chegar da guerrilha, não estavam habituados à cidade e equivocavam-se com uma saia curta ou um vestido mais ousado. Levavam mulheres para os campos só porque se vestiam de maneira diferente, usavam batom, ou não tinham documentos.

Vemos um país internamente desconhecido, com mulheres do Sul, Norte, urbanas, rurais, que se vão transformando nesse convívio em "mulheres de uma só nação". O filme reflecte sobre a libertação da mulher?

É sobre os antagonismos da sua libertação. Remete para a emancipação das mulheres africanas em situações distintas: alfabetizadas ou não, a mulher colonizada e a mulher revolucionária, que percebe a disciplina imposta pelo homem. A reeducação funciona em vários sentidos, todas se "purificam" num certo dualismo: as prostitutas purificam-se porque aprendem coisas como a importância da liberdade e do trabalho, as militares libertam-se das hierarquias superiores. A adolescente virgem torna-se uma espécie de santa: todas a querem proteger ou ser protegidas por ela, profunda conhecedora do mato, ao contrário das mulheres urbanas sem relação com o mundo rural. A reeducação de prostitutas, militares e camponesas foi afinal um processo de mútuo conhecimento, que as leva a unirem-se para se libertarem.

Na união final, parece haver um grito feminista que contrapõe o moralismo que quer reeducá-las para serem boas esposas e mães, aprendizes dos ofícios femininos. Ou seja, os argumentos para a reeducação não contradizem em parte o objectivo de acabar com a exploração da mulher pelo homem?

O filme joga com essa dualidade. As camponesas acusam as prostitutas na sua incapacidade de serem boas esposas, "mulheres da má vida, vocês não sabem varrer o chão, não sabem cozinhar", já elas vão buscar água para os seus maridos e reflectem a sociedade tradicional moçambicana.

A desconstrução torna-se mais clara quando as militares percebem a fragilidade daqueles a quem devem obediência cega, pois se até o dirigente da Frelimo não cumpria o que mandava fazer.

Sim, o verdadeiro grito revolucionário é oriundo das militares quando dizem "filho da puta, passou para o lado do inimigo". Revoltada, usa a linguagem das prostitutas, coloca-se contra os homens, pois o militar afinal é um símbolo masculino reaccionário. Já elas dão continuidade à revolução, depois de perceberem que estão a ser julgadas, de maneira indecente, pelo lado machista da revolução. A militar torna-se a verdadeira juíza da revolução.

De onde vem a sua reflexão sobre a prostituição?

Da infância. Vivia numa fazenda no Brasil e houve um episódio curioso. Os meus pais viajaram e fiquei com um tio. Tinha quatro anos e ele, bonitão tipo actor americano da época, tinha 18. Levou-me a uma zona de prostituição ao longo da estrada, meteu-se numa confusão, veio a polícia e fugiu, deixando-me ali. De repente vi-me sozinho com aquelas senhoras que me cuidavam. Só me lembro de um sofá vermelho e moças de fatos bonitos e cabelos compridos a darem-me comida e bebida. Anos depois soube que eram prostitutas. Vi muitos filmes do Fellini, e sempre tive um grande respeito por estas mulheres. Imagino quando se vêem numa situação de filhos para criar, com pouca escolaridade, classe social baixa, seria incapaz de julgá-las.

A personagem Rosa é uma trabalhadora do sexo emancipada, não tem nenhum dependente, é forte, com princípios, faz valer a sua palavra, como aparece?

Em cada personagem misturo várias que conheci, a Rosa surgiu-me a partir de uma entrevistada. Era rebelde e muito forte, bem mais marginal e menos lúcida. A Rosa do filme é anarquista, põe em causa a autoridade, mostra o ridículo da disciplina militar. Ao longo do processo é ela que adquire mais consciência de classe, transforma-se numa revolucionária esperta. Não sei o que poderia acontecer-lhe depois do filme, mas com certeza não voltaria à prostituição.

O que aconteceu a estas mulheres depois dos campos de reeducação?

Duraram praticamente dois anos. Algumas voltaram para Maputo, outras ficaram por lá, casaram com homens da região, fizeram família. Hoje têm cerca de 60 anos. A ida foi bem organizada, já a volta uma grande confusão.

É quase inexistente o confronto com a história recente do país, como se houvesse uma sacralização do período pós-independência que não permite mexer nas suas ambiguidades. Este filme vai ser problemático em Moçambique?

As pessoas não estão habituadas a ter uma visão crítica do passado, o que é essencial para evoluir. Não me interessam as consequências ou o feedback do filme, quero apenas mostrar e quando vejo uma história bonita, escrevo-a. Em Virgem Margarida, o contexto político existe, mas não é o mais importante. O próximo filme vai ser a partir de um livro meu, O Comboio de Sal e Açúcar também mostra atrocidades de um lado e de outro da guerra civil.

Qual era o seu envolvimento político em 1975?

Trabalhava na Guiné-Bissau, só cheguei a Moçambique em 1978 e nem sequer conhecia o processo dos campos de reeducação, só passados dois anos é que se começou a falar disso. Mas, a priori, até acharia benéfico, na minha visão idealista da época, porque também dizia um não redondo à exploração sexual do colono às mulheres moçambicanas. Só depois, confrontado com as condições reais dos campos, percebi que é preciso mais do que boas ideias.

Noutros filmes seus mostra esta atenção para acontecimentos paralelos a grandes processos históricos, com enfoque maior para a realidade rural de Moçambique?

Gosto do campo por estar mais relacionado com as tradições e porque percebo melhor os problemas das mulheres. A realidade urbana em geral é muito violenta. Gostaria de contar histórias relacionadas com crime mas é difícil conseguir dinheiro para tal, precisamos de buscar coisas que toquem o coração dos financiadores.

Esta longa-metragem é a continuação do trabalho documental?

A minha formação é jornalismo, trabalhei na revista Versus, influenciado pelo novo jornalismo da escola americana. Na Guiné-Bissau escrevia histórias da guerra numa perspectiva ficcionada. Quando vim trabalhar para o Instituto de Cinema de Moçambique, foi fácil a passagem para o documentário. Há continuidade enquanto cineasta e escritor, pois os meus filmes estão ligados àquilo que escrevo, e a minha ficção vem do documentário. Tento criar uma linguagem particular para documentário com estrutura dramatúrgica de ficção. O Grande Bazar é uma ficção misturada com documentário. O Desobediência é um filme para televisão com dinheiro para realização de documentário. Inscrevi-o em festivais de documentário e negaram dizendo que era ficção. Depois ganhou o FIPA de ficção. Acabou por ser uma ficção por responsabilidade dos festivais.

Como foi dirigir uma grande produção com equipa técnica de múltiplos países e 200 mulheres em cena?

Deve ter relação com a história da minha família com muitos militares, habituei-me a comandar as tropas. Gosto muito de dirigir, desde que haja um objectivo bem determinado, e uma ideia bem construída. Comparando com outros realizadores, acho que não sou autoritário, ouço opiniões, deixo os actores improvisarem bastante, criando falas e cenas. É uma contribuição que espelha uma boa relação entre o realizador e os actores. Ambos sabemos a ideia do filme e eles entendem como o estou a filmar. Não tenho receio de falar com 200 pessoas, quer dizer, sou tímido mas não posso mostrar. Havia dez nacionalidades diferentes envolvidas do começo ao fim do filme. Esta mistura de gente e estética podem criar o cinema de periferia, em oposição ao cinema americano, em que é tudo muito formatado.

Onde filmaram?

Em vários locais do país, numa zona inóspita. Escolhi Sussundenga, na província de Manica, no centro. O mesmo lugar do documentário A Ponte, reserva chimanimani, onde fica o monte Benga, o mais alto ponto de Moçambique. Descobri um rio maravilhoso, o Mussapa Pequeno, que escolhi pois precisava de um rio sem crocodilos onde 200 mulheres nuas pudessem tomar banho. Fiquei maravilhado, nunca vi tantas mulheres bonitas tomando banho juntas. Filmámos fora da vila, aonde os homens não tinham acesso. Sempre gostei de trabalhar com mulheres, avisei logo que não queria fazer um filme sobre mulheres só com homens na equipa.

E as actrizes? Imagino que não tenha sido fácil para os maridos deixarem as suas mulheres irem para o mato rodar um filme sobre prostitutas.

Quase não havia actrizes profissionais. Explicámos-lhe tudo muito bem, pediu-se autorização. A [realizadora] Margarida Cardoso filmou a reunião com os maridos para o filme Licínio Azevedo - Crónicas de Moçambique.

O que pode trazer este filme para a produção audiovisual em Moçambique? Como foi o processo do filme?

Foi difícil e moroso. É uma produção bem conseguida, mas um esforço enorme e grande luta da produção. É preciso ter nervos de aço para aguentar uma produção com dinheiro saindo aos pinguinhos durante anos e conseguir agilizar os compromissos. Isto acontece devido ao facto de Moçambique não ter fundos próprios para fazer cinema, de toda esta dependência do exterior. Sujeitamo-nos, não se pode fazer nada. Pondo na balança, o pobre paga mais caro. O nosso filme poderia ter sido feito com 500 mil dólares e gastámos um milhão apenas porque o dinheiro demorou, e por estar tudo atrasado paga-se mais caro. É uma falta de visão num país como Moçambique, que há uns anos tinha dinheiro para o cinema, negligenciá-lo hoje em dia.

Fonte: http://www.publico.p...-fundo-25217590
 
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Créditos da postagem a Pedotriba, no MakingOff.

Um comentário:

Emilio Fernandez disse...

Bom dia, como vai você?

Meu nome é Emilio , eu sou um menino espanhol e moro em uma cidade perto de Madrid. Eu sou uma pessoa muito interessada em saber coisas tão diferentes como a cultura , o modo de vida dos habitantes de nosso planeta, a fauna , a flora e as paisagens de todos os países do mundo, etc, em resumo, eu sou uma pessoa que gosta de viajar , aprendendo e respeitando a diversidade das pessoas de todo o mundo.

Eu adoro viajar e conhecer pessoalmente todos os aspectos acima mencionados, mas, infelizmente, como isto é muito caro e meu poder de compra é muito pequena , por isso desenvolveram uma forma de viajar com a imaginação em todos os cantos do nosso planeta. Alguns anos atrás eu comecei uma coleção de selos usados ​​, porque através deles, você pode ver fotos sobre a fauna, a flora , monumentos, paisagens, etc de todos os países . Como todo dia é cada vez mais difícil conseguir selos , alguns anos atrás eu comecei uma nova coleção , a fim de receber cartas tradicionais que me dirigiu em que o meu objetivo era fazer com que pelo menos uma carta de cada país no mundo. Este objetivo modesto é viável para chegar na maior parte dos países , mas, infelizmente , é impossível de conseguir em outros territórios , por diversas razões , ou porque eles são muito pequenos países com poucos população , ou porque são países em guerra , ou porque são países com pobreza extrema , ou porque por algum motivo o sistema postal não está funcionando corretamente .

Por tudo isso, eu gostaria de lhe pedir um pequeno favor:
Estaria a gentileza de me enviar uma carta por correio tradicional de Guine Bissau? Eu entendo perfeitamente que você acha que seu blog não é o lugar apropriado para pedir isso, e até mesmo , é muito provável que você ignore a minha carta , mas eu gostaria de chamar sua atenção para a dificuldade na obtenção de uma carta daquele país, e também Eu não conheço ninguém nem onde escrever em Guine Bissau , a fim de aumentar a minha coleção. uma carta para mim é como uma pequena lembrança , como se eu já tinha visitado esse território com a minha imaginação e ao mesmo tempo , a chegada das cartas de um país é um sinal de paz e normalidade e uma maneira original de promover um país em o mundo . Meu endereço postal é o seguinte :

Emilio Fernandez Esteban
Avenida Juan de la Cierva , 44
28902 Getafe ( Madrid)
Espanha

Se desejar, você pode visitar o meu blog www.cartasenmibuzon.blogspot.com onde você pode ver as imagens de todas as cartas que tenho recebido de todo mundo .

Finalmente, eu gostaria de agradecer a atenção dada a esta carta, e se você pode me ajudar ou não, eu enviar os meus melhores votos de paz , saúde e felicidade para você , sua família e todos os seus entes queridos .

sinceramente seu

Emilio Fernandez