10 de março de 2011

Idrissa Ouedraogo - Yaaba (1989)



Burkina Faso | Idrissa Ouedraogo | 1989 | Drama | IMDB
More | Legenda: Português/Inglês/Espanhol/Francês (no torrent)
  90 min | XivD
672 x 384 | MPEG 1/2 L3 128 kb/s | 25.000 fps
700 MB

Yaaba
Bila, um menino de dez anos, observa a vida de sua vila More. Ele faz amizade com uma anciã que a comunidade acusa de feitiçaria. Pouco a pouco, nasce uma cumplicidade entre eles. Enquanto isso, uma série de sub-tramas se desenrolam, vista sob o olhar do garoto.

"Yaaba significa em língua moré, a avó. É assim que Bila, um rapaz de doze anos, chama a Sana, uma mulher velha e rejeitada por toda aldeia. Yaaba é essencialmente a história de uma amizade. O ponto de partida é a recordação de um conto de minha infância e de uma forma de educação noturna que adquirimos entre os sete e os dez anos, mesmo antes de adormecer, quando temos a sorte de termos uma avó." Idrissa Ouedraogo

Vencedor dos prêmios:
1989: Prêmio da Crítica no Festival de Cannes
1989: Prêmio do Público e Prêmio da Melhor Música no FESPACO (Festival Pan-africano de Cinema e TV de Ouagadougou)
1989: Prêmio de Ouro do Tokyo International Film Festival
 



Crítica: YAABA, CINEFILIA E REALISMO SEM FRONTEIRAS - Lúcia Nagib
Graças a Yaaba (Idrissa Ouédraogo, 1989) o povo mossi, de língua moré, de Burkina Faso, ganhou expressão audiovisual e em distensão, desdobramento geométrico de espaço e tempo, depuração e economia de meios de modo geral. Num mundo rigorosamente uniformizado, sem demarcação histórica ou sinal de outras civilizações, os personagens se expressam pausadamente, em falas simples e claras, em postura solene frente a uma câmera predominantemente estática, enquanto as cenas se desenrolam em rígida ordem cronológica, sem saltos ou sequer fusões entre planos.

Tais características estéticas derivam, por um lado, de opções estilísticas compatíveis com o realismo baziniano, que inclui a idéia do cinema como “janela para o mundo” e a primazia do real objetivo sobre o sujeito observador. Mas são, igualmente, resultado dos limites impostos por um orçamento restrito e o uso da película de 35mm, que requer maquinaria pesada e recursos inviáveis numa região semi-desértica, distante dos serviços urbanos. A combinação desses fatores resultou no que alguns chamam de mise-en-scène ‘hierática’ (Boughedir, 1995, p. 28), um estilo que coloca Ouédraogo, pelo menos nesta altura de sua carreira, ao lado de cineastas ascéticos, como Bresson, e eu acrescentaria Ozu, cujo cinema pode oferecer pistas iluminadoras para este filme, como veremos.

Yaaba é de fato uma obra de cinéfilo, que reflete tudo que o diretor Ouédraogo aprendeu em sua rigorosa formação cinematográfica, que se iniciou no extinto Institut Africain d'Études Cinématographiques, em Ouagadougou, prosseguiu em Kiev (na antiga União Soviética) e encerrou-se em Paris, no famoso IDHEC, ou Institut des Hautes Études Cinématographiques. Após vários curtas e um primeiro longa metragem filmado em 16mm, A escolha (Yam daabo, 1986), Ouegraogo finalmente embarcou, com Yaaba, no formato 35mm, mas não sem antes formar uma equipe internacional com profissionais de alta categoria, começando com o produtor executivo suíço Pierre-Alain Meier, que trouxe consigo o diretor de fotografia e também cineasta Matthias Kalin, e a maquiadora Nathalie Tanner, cujo pedigree cinematográfico remonta a seu pai, o célebre diretor Alain Tanner. Da França, ele convidou o experiente engenheiro de som Jean-Paul Mugel, colaborador frequente de diretores do porte de Wim Wenders, Agnès Varda e Manoel de Oliveira, além de seu antigo professor no IDHEC, o câmera Jean Monsigny (Cressole, 1998).

A eles se juntaram alguns dos melhores talentos do cinema da África subsaariana, como o mais famoso ator de Burkina Faso, Rasmane Ouédraogo, o compositor experimental camaronês Francis Bebey e uma equipe de atores inesquecíveis, selecionados entre os habitantes do povoado de Tougouzagué, a alguns quilômetros de onde o diretor nasceu. (...)

Yaaba foi aclamado em Cannes, onde ganhou o prêmio FIPRESCI entre outras menções. Seu conteúdo de conto moral, centrado nos personagens de uma anciã e duas crianças, também facilitou a distribuição e exibição em cinemas e TVs do mundo. (...) A seguir, conquistou o Étalon d’Yenenga, o prêmio principal do FESPACO (Festival Pan-Africano de Cinema de Ouagadougou), consolidando a reputação internacional de Ouédraogo. Apesar disso, críticos africanos e de outros lugares continuam perdendo tempo em conjeturas sobre se Yaaba e Tilai foram feitos para um público vagamente definido como “africano”, ou para um ainda mais evasivo “ocidente”, a quitessência do “Outro” que tais críticos insistem em distinguir radicalmente do primeiro (ver Diawara, 1992). Até mesmo um livro recente sobre cinema africano dedica várias páginas a esse debate improdutivo que, invariavelmente, termina com a crítica velada de que ambos os filmes, pela elevada pretensão artística, não seriam suficientemente “populares” para o público africano (Mur& Williams, 2007, pp. 162ff). Em resposta a essas críticas prescritivas e em última análise esterilizantes, Ouédraogo reitera em suas entrevistas:

"São os intelectuais que acusam meus filmes de não serem africanos. Eles esquecem que a técnica é universal, mesmo se a aprendemos na França. É como a ciência ou a medicina, temos direito a elas, pois representam um conhecimento que pertence ao mundo e, consequentemente, a mim também" (Nagib, 1998, p. 118).

(...)

Veja uma análise mais aprofundada do filme e das influências de Satyajit Ray e Yasujiro Ozu no trabalho de Ouedraogo na versão completa do artigo: clique aqui, página 177.

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Por favor, semeie! Semear é muito importante para que outras pessoas tenham acesso ao filme.
Download direto
http://www.filesonic.com/file/24795009/Yaaba_1989_pb.avi.001
http://www.filesonic.com/file/24794625/Yaaba_1989_pb.avi.002
http://www.filesonic.com/file/24794627/Yaaba_1989_pb.avi.003
http://www.filesonic.com/file/24794529/Yaaba_1989_pb.avi.004
 
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7 comentários:

Leon disse...

Seu site é mto interessante. Estou com muita vontade de assistir esse filme, mas para a parte 3, diz o FILESONIC, que é só para PREMIUM USER. É isso verdade? Ou é algum problema? Por favor, me ajude nesse aspecto. Obrigado

Cine África disse...

Seja bem-vindo, Leon! Obrigada por avisar. Se possível, faça o download por torrent, pois nós não hospedamos os filmes (os links são do Cinema of the World), então não posso garantir que haverá um link substituto. Desculpe o inconveniente e obrigada pela sua visita.

Edvaldo Alves disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Edvaldo Alves disse...

Filme muito bom, recomendo!!!

Parabés pelo blog, até então tinha muita dificuldade de encontrar filmes sobre a África, graça a vocês pude encontrar e o melhor de tudo, é produzido pelos próprios africanos. Parabéns pela iniciativa.

Cine África disse...

Olá, Edvaldo! Obrigada pelo comentário e pela sua visita. Seja sempre bem-vindo!

Anônimo disse...

Outro excelente filme! Muito bom!!!

Cesar S. Farias disse...

Um filme que aborda, essencialmente, amizade e preconceito. Vale a pena rodá-lo nesses tempos atuais.

Abraço.