3 de novembro de 2011

Abdellatif Kechiche - Vénus Noire (2010)


França/Bélgica | Abdellatif Kechiche | 2010
Drama | IMDB
Francês/Africâner/Inglês | Português/Francês
159 min | 1,38 Gb

Vénus Noire / Vênus Negra

Paris, 1817, Academia Real de Medicina. Em frente a um molde do corpo de Saartjie Baartman, o anatomista Georges Cuvier é categórico: “Nunca vi uma cabeça humana tão parecida como a dos macacos.” Uma plateia de eminentes colegas cientistas aplaude a demonstração. Sete anos antes, Saartjie deixara a África do Sul como escrava de Caezar, sendo obrigada a exibir seu corpo ao público londrino nas feiras de aberrações. Baseado na vida de Sara Baartman.

Seleção Oficial do Festival de Veneza 2010






Crítica: “Vênus Negra” aborda colonialismo e racismo na Europa

SÃO PAULO (Reuters) – Sem nenhuma pretensão a ser didático, “Vênus Negra”, o contundente novo drama do tunisiano radicado na França Abdellatif Kechiche (“O Segredo do Grão”) atravessa uma série de temas — o colonialismo, o racismo e o machismo, os mais evidentes.
Que a história, apesar de ambientada no início do século 19, tenha tanta ressonância numa Europa que ergue barreiras crescentes aos imigrantes, não é mera coincidência.

Ao centro do filme, roteirizado pelo próprio Kechiche e Ghalia Lacroix, há uma personagem real cuja biografia é repleta de pontos obscuros. Pelas próprias características de sua vida curta e oprimida, nunca se saberá tudo sobre a sul-africana Saartje Baartman (a impressionante estreante cubana Yahima Torres).
Suas formas mais do que generosas, que lhe valeram o apelido de “Vênus hotentote”, falaram mais alto do que ela. Saartje, que sonhava em ser artista na Europa, como foi na África, acabou refém de uma situação de virtual escravidão não só em relação ao patrão Hendrick Cezar (Andre Jacobs), como frente ao olhar com que uma mulher, africana, imigrante e despossuída foi encarada. Mesmo cientistas não foram menos voyeurs.

Ela parte da África para Londres em 1810 com Cezar, que promete fazê-la rica com apresentações de sua dança. Ao invés disso, ela é coagida a apresentar-se em shows de mau gosto, em que sai de uma jaula, simulando atacar o público, como se fosse uma selvagem. Nesses espetáculos, usa uma roupa colante que deixa em evidência a particularidade de seu corpo. Muitos espectadores gritam obscenidades e tentam tocá-la.

A exploração de Saartje chama a atenção de um tribunal, onde ela não denuncia o patrão, apesar de ter a oportunidade. Este é um dos mistérios da moça, que pouco fala e bebe muito. Uma nova viagem, desta vez a Paris, piora sua situação. Explorada por um empresário circense (Olivier Gourmet, de “O Filho”), ela torna-se a principal atração de festas privadas em que os convidados tocam seu corpo.
Mesmo quando é alcançada por cientistas, como o anatomista Georges Cuvier (François Marthouret), nem assim consegue ser tratada como um ser humano.

Saartje é objeto de uma curiosidade que desconsidera seus pudores e sua vontade. Os cientistas veem nela não mais do que um animal exótico, uma situação que persistirá mesmo após a sua morte, em 1815. Seu esqueleto e alguns de seus órgãos ficaram em exibição no Museu do Homem, em Paris, até 2002, quando o presidente sul-africano Nelson Mandela requereu formalmente que seus restos fossem enviados ao seu país natal para o sepultamento.

Fixando sua câmera em torno de sua formidável protagonista, o diretor Kechiche estende as sequências, inclusive as da insuportável exposição de Saartje. Nesse tempo alongado, procura, de algum modo, que o espectador compartilhe o calvário da personagem e tente entender o mistério de seu silêncio. E a história fica na carne e na memória de quem vê.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)
Fonte: Reuters
Reproduzido em: Cinema na Rede



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Postado originalmente no MakingOff, por HoldenCS.
Legendas por krica05. Sincronia: pinguim-sp.

7 comentários:

André Procópio disse...

Está dando erro no link do torrent, encotrei este:

http://thepiratebay.se/torrent/6229783/Venus_noire_aka_Black_Venus_(2010)(FR_NL_SUBS)_(Retail)_TBS

Cine África disse...

Olá, André. Obrigada por reportar o erro, já foi corrigido. O link que você enviou é para um arquivo diferente do filme, de qualidade maior, mas com menos seeds. O link para o torrent que estava no blog já está reparado. Um abraço!

Anônimo disse...

Que filme incrivel! Parabens pelo blog

Anônimo disse...

Bom dia,

Tentei fazer o download do filme mais não consegui clico e não abre o link. A legenda consegui normal.

Como faço para realizar o download?

Obrigada.

joseh brito disse...


Excelente filme,com interpretações excepcionais. Poderia ser menos longo sem perda da qualidade, creio.
joseh brito

Cine África disse...

O link foi corrigido.

Iris Regina gomes disse...

Oi não estou conseguindo ver a legenda em portugues
Obrigada