24 de janeiro de 2011

Ousmane Sembène - Xala (1975)

Senegal | Ousmane Sembène | 1975 | Comédia | IMDB
Francês/Wolof | Legenda: English (hardsub)/Português
123 min | DivX 5 512 x 320 | 731 kb/s | 52 kb/s MPEG1/2 L3 | 23.976 fps

700 MB 
É a aurora da independência de Senegal, mas os cidadãos que celebram nas ruas logo descobrem que pouco mais do que os rostos no poder mudaram. Dinheiro dos brancos ainda controla o governo. Um oficial, Aboucader Beye, conhecido como "El Hadji", se aproveita desse dinheiro para se casar com uma terceira esposa, para tristeza de suas duas primeiras esposas e ressentimento de sua filha nacionalista. Mas ele descobre em sua noite de núpcias que foi afetado pela xala, um feitiço de impotência. El Hadji passa por situações cômicas para encontrar a causa e remover a xala, resultando em um final satírico mordaz.

 

Crítica

Ousmane Sembene: Xala

     Sembène, como um reconhecido romancista, buscou livros para o cinema principalmente porque, como um marxista, queria alcançar além da elite africana e francesa que desprezava. Uma bolsa de estudos da União Soviétiva em 1961, quando contava com aproximadamente 40 anos, levou-o a estudar com Donskoy e Gerasimov, e Xala, em particular, foi um resultado direto dos seus ensinamentos e da sua motivação popular.
     Xala significa impotência sexual e o filme, retirado de seu próprio romance, é uma sátira brilhantemente engraçada e irônica sobre o Senegal pós-colonial. Irritou o governo consideravelmente - 11 cortes foram feitos antes que fosse lançado em Dakar.
     O motor do roteiro é que a nova elite negra tomou o poder. Um dos membros do grupo no controle é El Hadj Abou Kader, que celebra seu casamento com uma terceira esposa mais jovem que sua filha, mas não tem uma ereção na noite de núpcias. Seus esforços para se curar levam-no ainda mais à ruína.
     Nenhum diretor africano criticou as ambições e corrupção de seus governantes mais severamente do que Sembene em Xala, ou o fez com tal hilariedade silenciosa.
(spoiler, selecione para ler)
      As classes governantes são contrastadas com um grupo de pedintes que representam o povo e cobram vingança de Kader, primeiro lançando a maldição e finalmente despindo-o e cuspindo-lhe para retirá-la.
     O filme expõe o processo neo-colonialista enqaunto a elite deslumbrada recebe maletas recheadas com dinheiro dos homens de negócios brancos na Câmara do Comércio, e são conduzidos ao longo de um tapete vermelho até suas Mercedes após um discurso sobre "o caminho africano para o socialismo". "Você não é um branco", diz a futura sogra de Kader quando ele se recusa a participar da cerimônia para garantir o defloramento bem suscedido da noiva. "Você não é nada especial."
      A forte percepção da mulher é outra qualidade de Xala. "Não pode haver progresso na África se as mulheres não são levadas em conta", Sembène escreveu uma vez. Quando Kader discute com sua filha mais jovem, dirigindo-se a ela em francês, ela deliberadamente responde em wolof. Mas quando ele finalmente entende o motivo e se dirige à Câmara de Comércio nessa língua ao invés de francês, é acusado de "racista, sectário e reacionário".
     O filme não poupa ninguém - o suscessor de Kader na Câmara, por exemplo, é um ladrão comum - mas Sembène insiste que há um futuro melhor para a África do que isto. É o seu senso de ironia, combinado com raiva, que faz seu trabalho extraordinário e talvez mais fácil de compreender do que muitos filmes africanos.
     Mandabi (1968) de Sembène, sobre o julgamento de um homem tentando descontar um cheque, foi o primeiro filme verdadeiramente africano, e Ceddo (1977), que olha para o passado africano, permanece talvez o mais sofisticado. Mas Xala, feito para africanos comuns e visto por eles em massa é talvez a mais bem suscedida crítica de sua própria sociedade.



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Um comentário:

Anônimo disse...
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