25 de janeiro de 2011

Djamila Sahraoui - Barakat! (2006)

Argélia/França | Djamila Sahraoui | 2006 | Drama | IMDB
Árabe/Berbere/Francês | Legenda: Português 
95min | XviD 720 x 400 | 2.443 kb/s | 140 kb/s MPEG1/2 L3 | 29.970 fps 
1,36 GB

Ambientado na Argélia da Guerra Civil dos anos 90, Barakat! (Basta!) segue duas mulheres na perigosa procura pelo marido da mais jovem delas, um jornalista cujos escritos resultaram em seu desaparecimento. Ambas as mulheres representam anacronismos na Argélia islâmica: a mais jovem é uma médica, a mais velha é uma enfermeira cujas memórias da luta pela independência ainda estão vívidas. Ignorando a constante ameaça de ataque pelas milícias armadas, as duas desafiam os homens que encontram a aceitá-las e ajudá-las em sua busca. Sua jornada através das paisagens argelinas as leva a uma compreensão mais profunda de como suas vidas estão relacionadas à história de seu país.  







Legenda do trailer
- Com licença, meu marido desapareceu.
- Murad, o jornalista, onde ele está?
- Não sei se os mataram, ou se eles matam.
- Criança, escute o que ela diz.
- Vou encontrá-lo sozinha!
- Ok, vá encontrá-lo sozinha!
- Repita, repita, agora!
- Basta!


Entrevista com a diretora


Depois de vários documentários, Barakat! é sua primeira ficção. O que a levou a mudar de gênero?

O documentário é uma escola apaixonante, mas às vezes frustrante. Você estabelece com as pessoas que filma relações muito fortes, mas você não pode ir além dos limites que elas lhe impõem. Há várias situações que eu não poderia jamais mostrar em um documentário, ainda que elas sejam bem reais! Não posso dizer a uma jovem argelina: você vai entrar nessa lanchonete, os homens vão agredi-la e eu vou filmar!

Para sua primeira ficção, você não se lançou a um tema evidente: a guerra civil dos anos 90!
Esse tema era para mim mais o pretexto para fazer o retrato de duas mulheres... Duas mulheres que pertencem a gerações diferentes, mas que reagem da mesma maneira diante da adversidade. Elas vivem situações dramáticas, mas avançam, sem sentirem auto-piedade.


Você definiria Barakat! como um road movie?
Eu diria sobretudo uma odisséia: elas fazem um percurso muito longo para finalmente retornarem a suas casas. Era importante que elas saíssem de casa, que elas se afastassem de seus universos, afim de ir em direção ao perigo e ao desconhecido, mas também ao encontro do outro, como o velho camponês que lhes oferecerá sua hospitalidade e acabará por acompanhá-las.

Khadija representa toda uma parte da história argelina...
Tenho uma grande admiração pelas mulheres dessa geração, aquelas que fizeram a guerra. Elas foram os ídolos de minha infância. Não desejo mais colocá-las em um pedestal como fez a propaganda oficial. Através de Khadidja o filme zomba um pouco do mito da "grande heroína". A exaltação dessas heroínas revolucionárias não impediu os homens de enviar as mulheres de volta às suas vasilhas.

Você mostra a dureza das relações entre os homens e as mulheres, a tensão cotidiana.
O filme mostra efetivamente a pressão cotidiana que pesa sobre as mulheres. Eu estou convencida de que a violência da guerra dos anos 90 está também ligada à violência das relações sociais, e portanto à violência que a sociedade exerce sobre as mulheres... Será necessário um dia que os homens tomem consciência da injustiça que eles fazem a si mesmos se privando de metade da população.

Seu filme não oferece uma imagem muito positiva dos homens argelinos...
Há dois personagens positivos: o velho e o menino... a geração precedente e a seguinte. Mas além de algumas exceções os homens presentes no filme não fazem nada de muito maldoso, estão apenas cumprindo seu papel. O farmacêutico se recusa a entregar os remédios sem receita, os motoristas de taxi não estão dispostos a arriscar suas vidas... nada de mais normal. 

Khadidja é chamada várias vezes de "hadja".
E isso a enfurece! O termo "hadj" designa aquele ou aquela que fez a peregrinação à Meca: é o caso de Hadj Slimane, o joalheiro. Nos anos 90, com a ascenção do islamismo, os jovens passaram a chamar de "hadja" as mulheres de uma certa idade, em sinal de respeito. Porque uma mulher de certa idade era obrigatoriamente pia e obrigatoriamente ela havia ido a Meca. Isso irrita Khadidja... que passa longe de ir à Meca! Ela se veste de modo ocidental, se maquia...

Mas ela não hesita em vestir o véu para enganar os homens.
É uma referência à guerra de independência. Quando as mulheres como Khadidja colocavam o véu, era para carregar armas através das barreiras. Khadija reproduz esse esquema, se disfarça. Durante as duas guerras, não se investigava as mulheres; elas poderiam assim passar armas, dinheiro, papéis... Pode-se vê-lo vem no Batalha de Argel, o filme de Pontecorvo... A mulher que leva o revólver na cesta e o dá ao homem, é aliás também um imagem do Batalha de Argel.

Explique-nos o título do filme, Barakat!, "Basta".
Basta a violência que gangrena essa sociedade. A geração atual, a da guerra civil, herdou a violência de seus pais, como Amel herdou o revólver de seu pai. A história desse país sempre foi violenta, sofrem-se as cicatrizes de uma guerra e começa um outra. É hora de acabar o ciclo.

Isso pode querer dizer o esquecimento, a anistia?
Evidentemente não, há um trabalho de justiça e de memória a fazer. É preciso narrar e explicar o acontecido para poder digeri-lo e passar a outra coisa. É preciso julgar os culpados. Isso será ainda mais duro nessa guerra do que na precedente: durante a guerra de independência havia um inimigo designado, o exército francês, havia uma causa justa, a independência. Então, eram argelinos contra argelinos. Isso será longo e difícil...


Fonte e versão completa (em francês)


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